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Vida fragmentada ou vida com prioridades: em que lugar você está?

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 Há dias em que me sinto frustrada. Frustrada por desejar aprofundar em algumas atividades e não dispor do tempo que elas exigiriam. Nesses dias, a sensação é de uma vida fragmentada, superficial, feita de tarefas inacabadas. Começo um relatório e uma urgência do trabalho me chama. Quero estudar por horas, mas preciso interromper para buscar meu filho na escola. Estou treinando em casa e paro várias vezes porque ele vem, todo feliz, me mostrar um brinquedo ou contar algo que descobriu. O dia segue assim: várias janelas abertas. Muita coisa feita — e quase nada do jeito que eu gostaria. À noite, tento ler ou avançar no aprendizado do teclado, mas o corpo já está cansado. Consigo apenas alguns minutos. E, às vezes, tudo isso me frustra. Nesses momentos, eu paro. Reflito. Tento costurar os retalhos das minhas atribuições, dos meus papéis e dos meus desejos. Pergunto a mim mesma: O que há de errado comigo? Não sou procrastinadora. O problema não é falta de vontade. É falta de tempo par...

A Travessia do Deserto

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  Tem momentos da vida em que a nossa missão não é conquistar — é atravessar. São desertos. E o deserto não é palco de grandes feitos. É lugar de escassez, de limite, de cansaço. É um tempo em que a vida reclama o essencial: água, um pouco de sombra onde recostar a cabeça e descansar. É como se o corpo estivesse em modo de sobrevivência. Você já deve ter passado por situações assim. Eu já passei. E aprendi uma coisa que me poupou sofrimento desnecessário: a dor aumenta quando eu tento ser super-heroína no deserto; quando exijo produtividade em um lugar que foi feito para me ensinar sobre limites; quando transformo sobrevivência em prova de excelência. A travessia não precisa ser épica. O deserto não pede heroísmo. Ele pede lucidez. Pede humildade para entender que não é hora de acelerar, mas de regular a força, conter os impulsos, diminuir as metas e economizar energia, para não cair antes de chegar do outro lado. E aí entra uma regra que, para mim, virou clareza: no deserto, eu fa...

Um dia sem reclamar: o desafio que muda seu olhar

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Preciso confessar uma coisa: eu já fui uma dessas pessoas que reclamam de tudo. Eu tenho um temperamento melancólico, e o melancólico tende a ser mais crítico e, às vezes, pessimista. (Prometo trazer uma carta sobre os quatro temperamentos depois.) Por ora, basta entender: quando eu não vigiava a mente, a reclamação virava meu modo automático de enxergar a vida. Eu olhava para as coisas e para as pessoas procurando defeitos. Mesmo quando eu não falava nada, a crítica já nascia por dentro. E isso vai pesando. A pessoa que reclama de tudo fica como alguém que recolhe o lixo do caminho e decide carregar nas costas. E preciso dizer com clareza: isso não é maturidade. Não é saudável. Reclamar o tempo todo alimenta emoções negativas e treina o olhar para o que falta, para o que irrita, para o que “deveria ser diferente”. A vida fica cinza — mesmo quando existem motivos para agradecer. Um dia, eu desabei aos pés de Deus e falei: “Eu não aguento mais ser eu.” Eu queria leveza. Queria d...
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  O último dia do ano e a sede de eternidade O último dia do ano costuma nos tornar mais pensativos — e isso não é por acaso. Somos seres que desejam sentido. Dentro de cada um de nós existe um espaço que não se preenche com as coisas deste mundo. Isso é um fato: fomos criados para a transcendência. Falo com frequência sobre organização, rotina, ordem e planejamento. E tudo isso é importante. A ordem estrutura a vida, protege a mente e disciplina o corpo. Mas, isoladamente, nada disso é capaz de dotar o ser humano de sentido. A grande pergunta permanece: por que eu vivo? Para quê eu vivo? Transcender é ir além do que é visível, além da matéria, além do imediato. É reconhecer que a vida não se resume ao que se toca, ao que se compra, ao que se acumula. Hoje, mais do que propor metas ou resoluções, meu objetivo é convidar você a refletir sobre o ano de 2025 sob a perspectiva da transcendência. Não sei quais são as suas crenças. Mas a Palavra de Deus nos oferece uma chave esse...

Os Dias Maus

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O que você faz naqueles dias em que tudo parece nublado e nada encontra sentido? Existem dias em que acordo com o coração pesado. Não é exatamente tristeza… é um cinza que se espalha devagar. Eu os chamo de “dias maus”. E imagino que você também conheça esse território — porque ninguém está imune a ele. Nesses dias, surgem perguntas que pesam mais que o próprio cansaço: “Estou vivendo como devo?” “Tenho orgulho do que fiz até aqui?” “Estou cumprindo minha missão na terra?” Quando adolescente, eu escrevia para aliviar esses dias. Descrevia meus sentimentos em poemas, lia e relia até cansar. Chorava um pouco, colocava uma música mais melancólica e depois dormia. A escrita me ajudava, sim, mas insistir na dor como se ela fosse um ritual… não me levava a lugar algum. Era apenas uma forma pouco sábia de permanecer ferida. Com o tempo — e pela graça de Deus — aprendi algo que mudou tudo: sentimento não é realidade, é impressão. É a resposta subjetiva do coração a um fato. E, justamente por n...