O último dia do ano e a sede de eternidade

O último dia do ano costuma nos tornar mais pensativos — e isso não é por acaso. Somos seres que desejam sentido. Dentro de cada um de nós existe um espaço que não se preenche com as coisas deste mundo. Isso é um fato: fomos criados para a transcendência.

Falo com frequência sobre organização, rotina, ordem e planejamento. E tudo isso é importante. A ordem estrutura a vida, protege a mente e disciplina o corpo. Mas, isoladamente, nada disso é capaz de dotar o ser humano de sentido. A grande pergunta permanece: por que eu vivo? Para quê eu vivo?

Transcender é ir além do que é visível, além da matéria, além do imediato. É reconhecer que a vida não se resume ao que se toca, ao que se compra, ao que se acumula. Hoje, mais do que propor metas ou resoluções, meu objetivo é convidar você a refletir sobre o ano de 2025 sob a perspectiva da transcendência.

Não sei quais são as suas crenças. Mas a Palavra de Deus nos oferece uma chave essencial para essa reflexão:

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.”
(Provérbios 4:23)

O coração. O centro das decisões, dos afetos e das prioridades. O que você permitiu entrar no seu coração neste ano que termina? Quais ideias, desejos, valores e ambições ocuparam esse espaço tão precioso?

Jesus nos adverte com clareza:

“Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem, e onde os ladrões minam e roubam;
mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, e onde os ladrões não minam nem roubam.”

(Mateus 6:19–20)

Isso não é uma negação da vida material, mas um chamado à hierarquia correta dos valores. A antropologia nos ensina que o ser humano é um ser de sentido. A teologia nos revela que esse sentido último não está nas coisas, mas no Criador. O homem precisa de algo que vá além de si mesmo para sustentar a própria existência.

O Criador colocou em nosso coração um espaço que só Ele pode ocupar. Nenhuma conquista, relacionamento, reconhecimento social ou estabilidade financeira consegue preencher esse lugar. A tentativa constante de fazê-lo gera inquietação, vazio e cansaço existencial.

Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Isso significa que carregamos em nós o anseio pelo eterno. Quando ignoramos essa dimensão, podemos até organizar a vida — mas continuamos desorientados por dentro.

Às vésperas de um novo ano, o convite é este: olhe para dentro. Reflita sobre o que tem alimentado o seu coração. Pergunte-se não apenas o que você fez, mas quem você se tornou ao longo do caminho.

Desejo que 2026 seja um ano voltado para a transcendência. Um ano de raízes profundas naquilo que é eterno. Porque tudo o que é verdadeiramente sólido nasce do invisível e permanece para além do tempo.

Paula Pacheco

Deus abençoe a sua vida.

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