Um dia sem reclamar: o desafio que muda seu olhar
Preciso confessar uma coisa: eu já fui uma dessas pessoas que reclamam de tudo.
Eu tenho um temperamento melancólico, e o melancólico tende a ser mais crítico e, às vezes, pessimista. (Prometo trazer uma carta sobre os quatro temperamentos depois.) Por ora, basta entender: quando eu não vigiava a mente, a reclamação virava meu modo automático de enxergar a vida.
Eu olhava para as coisas e para as pessoas procurando defeitos. Mesmo quando eu não falava nada, a crítica já nascia por dentro. E isso vai pesando. A pessoa que reclama de tudo fica como alguém que recolhe o lixo do caminho e decide carregar nas costas.
E preciso dizer com clareza: isso não é maturidade. Não é saudável. Reclamar o tempo todo alimenta emoções negativas e treina o olhar para o que falta, para o que irrita, para o que “deveria ser diferente”. A vida fica cinza — mesmo quando existem motivos para agradecer.
Um dia, eu desabei aos pés de Deus e falei: “Eu não aguento mais ser eu.” Eu queria leveza. Queria domínio sobre mim. E ali eu dei o primeiro passo: reconheci que eu reclamava demais.
Antes de mudar, eu fiz o que quase ninguém faz: um diagnóstico escrito.
1) O diagnóstico: conte suas reclamações (um dia)
Pegue um papel ou o bloco de notas do celular. Hoje, o seu objetivo não é se corrigir — é enxergar.
Durante um dia inteiro, toda vez que você reclamar, faça um registro rápido: um “tique”, uma bolinha, um risco, uma numeração. O importante é contar.
Assim:
- 1, 2, 3, 4… (apenas a contagem)
- Se quiser, ao lado escreva uma palavra sobre o tema: “trânsito”, “calor”, “atraso”, “bagunça”, “cansaço”.
Mas o foco é a contagem. Porque esse exercício revela algo desconfortável e libertador: quanto do seu dia é drenado pelo hábito da reclamação.
Não é só “um comentário”. Reclamar consome energia, ocupa espaço mental e rouba bem-estar.
No fim do dia, olhe para o total e reflita, com honestidade: quantas vezes você reclamou e como isso minou o seu bem-estar.
2) O desafio: 24 horas sem reclamar
Depois do diagnóstico, venha para o passo seguinte: um dia inteiro sem reclamar.
Não é fingir que está tudo bem. É treinar a mente para outro caminho.
Foi assim que eu consegui:
- Controlei a língua. Eu percebia o incômodo, mas não despejava em palavras.
- Aceitei uma verdade óbvia: reclamar não muda nada nem ninguém.
- Usei um filtro: isso depende de mim? Se sim, eu ajo. Se não, eu solto.
- Se posso resolver, eu faço, em vez de criticar. Ação traz paz.
- Pratiquei gratidão diária, inclusive pelas pequenas coisas. Gratidão educa o olhar.
A troca rápida (quando der vontade de reclamar)
Troque por uma pergunta:
- O que eu posso fazer agora (nem que seja pequeno)?
- Isso depende de mim?
- O que eu ainda posso agradecer, apesar disso?
Quer saber de uma coisa? Quando a reclamação diminui, a mente fica mais leve. E, muitas vezes, o mundo não muda tanto — o que muda é o seu olhar.
Hoje, faça o diagnóstico escrito. Amanhã, tente um dia sem reclamar.
Que Deus te abençoe.
Paula Pacheco