A Travessia do Deserto
Tem momentos da vida em que a nossa missão não é conquistar — é atravessar.
São desertos. E o deserto não é palco de grandes feitos. É lugar de escassez, de limite, de cansaço. É um tempo em que a vida reclama o essencial: água, um pouco de sombra onde recostar a cabeça e descansar. É como se o corpo estivesse em modo de sobrevivência.
Você já deve ter passado por situações assim. Eu já passei.
E aprendi uma coisa que me poupou sofrimento desnecessário: a dor aumenta quando eu tento ser super-heroína no deserto; quando exijo produtividade em um lugar que foi feito para me ensinar sobre limites; quando transformo sobrevivência em prova de excelência.
A travessia não precisa ser épica.
O deserto não pede heroísmo. Ele pede lucidez. Pede humildade para entender que não é hora de acelerar, mas de regular a força, conter os impulsos, diminuir as metas e economizar energia, para não cair antes de chegar do outro lado.
E aí entra uma regra que, para mim, virou clareza: no deserto, eu faço apenas o essencial. Eu cuido das rotinas mínimas que me mantêm viva: sono, alimento, oração, silêncio, respiração, um pouco de ordem.
Eu também cuido de quem depende de mim, sem recorrer a versões heroicas de mim mesma: eu sustento apenas o que não pode cair.
Atravessar o deserto é, muitas vezes, seguir sem aplausos, sem grandes resultados visíveis. E, ainda assim, seguir.
Um passo hoje e outro amanhã. Quando me dou conta, o horizonte já não é o mesmo. E eu já consigo ouvir o som das águas.
Se você está no deserto, continue: há água adiante — e o seu ritmo, mesmo lento, ainda é travessia.
Deus abençoe sua vida.
Paula Pacheco