Os Dias Maus




O que você faz naqueles dias em que tudo parece nublado e nada encontra sentido?

Existem dias em que acordo com o coração pesado. Não é exatamente tristeza… é um cinza que se espalha devagar. Eu os chamo de “dias maus”. E imagino que você também conheça esse território — porque ninguém está imune a ele.

Nesses dias, surgem perguntas que pesam mais que o próprio cansaço:

“Estou vivendo como devo?”

“Tenho orgulho do que fiz até aqui?”

“Estou cumprindo minha missão na terra?”

Quando adolescente, eu escrevia para aliviar esses dias. Descrevia meus sentimentos em poemas, lia e relia até cansar. Chorava um pouco, colocava uma música mais melancólica e depois dormia. A escrita me ajudava, sim, mas insistir na dor como se ela fosse um ritual… não me levava a lugar algum. Era apenas uma forma pouco sábia de permanecer ferida.

Com o tempo — e pela graça de Deus — aprendi algo que mudou tudo: sentimento não é realidade, é impressão. É a resposta subjetiva do coração a um fato. E, justamente por não ser a realidade em si, ele pode ser transformado conforme o modo como enxergamos o que nos acontece.

Por exemplo: se encaro uma reprovação como derrota, a tristeza se instala. Mas se a mesma reprovação é compreendida como uma forma de avaliar meu grau de conhecimento e ajustar o que preciso, a experiência muda completamente. Ninguém nasce sabendo; todos nós estamos em construção.

Essa compreensão me libertou.

Passei a notar que o que sinto não me define.

E que viver guiada por propósitos sólidos me tira das mãos dos sentimentos voláteis.

Quem tem propósito não se entrega ao arrasto da tristeza.

Sentir é humano, mas se pautar pelos sentimentos é escolha.

Viktor Frankl dizia que existe uma tensão natural entre o homem e o sentido da sua vida — uma tensão saudável, que impulsiona.

Não é tristeza.

É um chamado.

E percebi que todos os meus dias maus me deram justamente essa tensão necessária: o empurrão para olhar minha vida com mais honestidade e me aproximar do propósito para o qual fui criada.

Por isso, a forma mais sábia de atravessar um dia mau é permanecer fiel ao propósito — mesmo cansada, mesmo sem brilho, mesmo em silêncio.

Se você tem um plano de vida, siga-o.

O sentimento vai e vem; a realidade permanece.

Mas, se ainda não encontrou seu propósito e sente o vazio dos dias maus, talvez seja hora de transformar a tristeza em pergunta:

Onde você está? Para onde deseja ir?

Dias maus podem ser portas, não abismos.

Alguns gestos simples ajudam a atravessá-los:

- Anote seu plano de vida.
- Liste passos pequenos e claros.
- Faça ao menos uma coisa, por dia, que te aproxime do teu “para onde”.
- Não trate a tristeza como bússola.
- Nos dias maus, mude o ambiente interno: música alegre, leitura da Bíblia, oração, movimento do corpo.
- Diminua o ritmo, se precisar — mas não pare diante do céu nublado.

“Todos os dias do aflito são maus, mas o de coração alegre tem um banquete contínuo.” Pv 15:15

Que Deus te abençoe.

Paula Pacheco


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